Vamos pensar um pouco nessa caixinha do qual fomos criadas para sermos pessoas? – Amor Próprio.

Imagine uma caixa de meninos e uma caixa de meninas. O que contém nessas caixas? Meninos: subir em árvore, falar palavrão, coçar o saco, trabalhar, independência financeira, sexo. E o que tem na caixinha das meninas? Boneca, panelinha, delicada, princesa, casamento, filhos, cuidado.

As caixinhas são estruturais, mas entendemos que talvez você tenha tido uma realidade um pouco diferente. Talvez você tenha sido criada com muita liberdade, fazendo brincadeiras de “menino”, ou até mesmo, você homem, podem ter vivenciado sem culpa  algumas coisas da caixa da “menina”.

Mas, tenho certeza, que os seus amigos e amigas foram criadas mais ou menos de acordo com essa caixa acima, e não fora do padrões, certo?  Então vamos lá!

Sendo criada na perspectiva dessas caixas, fazer algo fora dela parece um erro, um despreparo. Quantas vezes um homem fez algo  lido socialmente como feminino e recebeu o apelido de “marica”? Ou quantas vezes uma mulher foi incrível em alguma tarefa profissional, e a elogiaram dizendo que ela é “igual ao um homem”. Enfim…

Essas caixas podem ser altamente limitadoras e adoecedoras. Pois, nela há uma característica, em especial, que aparece na maior parte dos casos que atendo em mulheres: o ato de cuidar.  A mulher é criada para cuidar, para se importar com o outro, para relevar o que o outro disse ou fez. A mulher é criada para estar atenta aos desejos do outro. Sendo assim, o que acontece é que ela passa a precisar ser a heroína do outro. Ela se cobra para suprir as demandas alheias! Se ela não consegue suprir, vêm o sentimento de culpa.

Você está se identificando com isso?

E é exatamente nesse lugar, ao meu ver, que o amor próprio pára de acontecer. O cuidado em si, com o outro, não é necessariamente o problema. Mas esse radar simbólico que dão para as mulheres ao nascer é adoecedor e nos afasta de saber quem nós somos, a impor limites e até a construir relacionamentos equilibrados. Muitas mulheres ainda hoje não conhecem o próprio corpo, não sabem das suas habilidades e nem do que gostam. Muitas nunca pararam para pensar quais são seus sonhos e desejos. Mas sabem “de cor e salteado” (como diria a minha avó), sobre o desejo, sonhos, habilidades do outro.

As mulheres, nesse caminho, começam a se cobrar. Tendem a se preocupar em advinhar o que o outro precisa, em ter que fazer sempre certo, porque a validação do outro é o que tende a legitimar que ela é boa o suficiente. Isso é adoecer e mais uma vez, a afasta do amor próprio.

Já o amor próprio, vem do lugar de se permitir ser uma mulher possível! Nada menos que isso. Amor próprio quer dizer impor limites, para você e para os outros! Então vá avaliando por aí, se você tem ultrapassado esses limites e começa escolhendo o que é primordial para te manter bem. Vai começando pelo o que é POSSÍVEL!

Não se esqueça, amor próprio é fazer o que é possível , para você e para os outros!

Se quiser, me conte como foi!

Beijos, Dri

Adriana Roque é psicóloga e é dona do projeto Para ser a mulher que quiser