Contra todas as mulheres, a moral e os bons costumes.

O Brasil é um dos piores países para se nascer menina, segundo a ONG Save the Children, e lidera o topo em relação aos assassinatos de pessoas trans e travestis. É o país em que a cada dia aumenta o número de casos de violência contra a mulher negra e também é o país que nomeia um crime como estupro culposo. 

Em 2020, os assassinatos de mulheres subiram no primeiro semestre e os estupros e agressões caíram. Porém, neste mesmo período, houve um aumento de subnotificação dos casos.  Uma menina de 11 anos é estuprada, engravida e é impedida pela classe médica (predominantemente masculina) e pela cristã de não passar pelo procedimento do aborto. Mari Ferrer é violentada dentro e fora do julgamento em que ela não é a ré e enquanto isso um jogador de futebol é contratado pelo Santos mesmo sendo CONDENADO por estupro. 

A violência contra a mulher negra aumenta e mulheres trans/travestis são destinadas à prostituição (prostituição compulsória) e assassinadas. Mulheres lésbicas sofrem estupro corretivo, seja dentro ou fora de seus lares. Esses são alguns casos que repercutiram nas redes sociais esse ano. O Brasil é regido por um sistema em que homens têm poder, enquanto mulheres precisam se conter. Que mulher NUNCA deixou de fazer algo que queria e que achava ser o certo por causa de um homem? 

Uma violência sem denúncia, sem notificação, sem rastro. Todas nós já passamos. Quando vivemos em um país onde o estupro é lido como não intencional, todas as mulheres estão vulneráveis. Quando um juiz decreta que um estuprador não teve intenção de estuprar, ele responsabiliza a mulher pela violência que ela sofreu. Ele está afirmando que ela deveria estar “guardadinha” em casa. Porém mesmo guardada em casa as mulheres são estupradas. Quando um advogado está ali para defender seu cliente, mas difama a vítima trazendo um discurso baseado na moral e nos bons costumes, surge a pergunta: qual é a moral e os bons costumes quando mulheres estão cotidianamente em perigo?

Texto: Adriana Roque – Idealizadora e Fundadora do Para Ser a Mulher que quiser

Revisão do texto: Ana Luiza Gonçalves- Editora da @revistalesbi