Como a Sangria nasceu.

Por Maria Silvia

Sangria nasceu há anos atrás.
Ela veio de dentro da minha própria casa, quando meu pai resolveu entrar para seu quarto e fechar a porta,
e minha mãe, seus olhos.

Sangria nasceu quase que comigo – mas não que eu gostaria ou escolhesse,
ela me acompanhou durante muito tempo.
E nasceu já se desfazendo,
aos poucos desatando laços.

Sangria teve início em mim, após passar por um processo de entendimento e confronto de violência doméstica.

No momento em que poderia ter ficado sozinha,
encontrei uma rede enorme de apoio de mulheres,
as quais me deram e tem me dado força para seguir e,
acreditar que precisamos cada vez mais,
ocupar espaços para nos manifestarmos por meio das artes,
buscando unir o sensível e o político.

Assim a sangria renasceu.
Da ressignificação dos meus laços desatados,
criando e me ensinando novos laços de afeto.

A proposta do projeto sangria envolveu quase 20 dias de programação intensa na galeria
Quartoamado, com temas ligados às lutas feministas, através das mais diversas linguagens.
Tópicos como violência doméstica, ocupação política, aborto, maternidade, feminicídio, entre
tantos outros temas que precisam urgentemente serem discutidos de forma saudável e
aprofundada, foram ressignificados e transformados em uma exposição coletiva de 21
artistas, oficinas, rodas de conversa, performances, creche solidária, flashes day, entre
algumas outras atividades internas e externas à galeria de arte quartoamado.
Buscando sempre incentivar e valorizar mulheres que nos representam na política, artistas
e produtoras locais da cena independente da cidade – de modo à alcançar e incentivar o
maior número de pessoas ao nosso redor.
continuamos sangrando,
porém, juntas.

E hoje de uma coisa eu sei:
eu fui vítima. não por opção.
mas por opção, serei resistência!

“Mulheres unidas plantando uma semente, ocupando a cidade e utilizando da arte para
alcançar, empoderar e conectar outras mulheres”

A Tatiana Marques participou do leilão Sangria com um Voucher no valor de  RS300,00.

fotos por Luisa Ranieri