O movimento Slow Fashion foi criado em 2008, se inspirando no movimento Slow Food. Como a tradução do nome já diz, o movimento busca uma “moda devagar”, onde o processo de concepção ao descarte do produto seja mais bem pensado e percebido, de forma a criar uma cadeia sustentável, humana e ecologicamente. Assim como no movimento da alimentação slow, ele visa maior conexão, diversidade e propósito no que consumimos.

Ele só é possível em uma cadeia produtiva enxuta, com uma produção menor e muito tempo e qualidade investidas. O que muda todo um paradigma produtivo, sendo no caso dos calçados uma grande dificuldade, já que a prática do mercado são produções de 300 pares dias. Resolvemos isso buscando os sapateiros tradicionais, construindo e fortalecendo a pequena economia e voltando as nossas raízes do ofício.

O movimento Slow Fashion é sobre identidade e raiz.

Ao se tornar um movimento global, se faz necessário o despertar do mercado tradicional para a sua sobrevivência, oque acaba levando ao Greenwashing ou seja, empresas passam a levantar a bandeira sustentável para a atração de clientes e nós, seduzidos pelas propagandas, consumimos sem verificar a veracidade dos fatos. É o caso de uma empresa de moda atual do Rio de Janeiro, conhecida por colocar a foto e o nome da produtora em uma etiqueta em suas roupas. No ano passado, ocorreu um pedido de demissão coletiva por maus tratos, onde funcionários de todos os setores se uniram contra as más condições de trabalho.

slow fashion

Se é Slow, você consegue conhecer quem tá por trás da cadeia sem grandes esforços

🙂

A primeira vez que tive contato com o termo Slow Fashion, foi em 2012 assistindo um filme da Helen Rodel, sobre uma percepção muito preciosa do tempo e o como isso fazia parte do processo criativo dela. Entendi algo sobre o que eu e outras pessoas sentiam sobre a moda, aquela que é funcional, transformadora e que dá tesão de fazer. Na época, eu começava a pensar a marca para apresentar como meu TCC do curso de Design de Produto da UEMG e tudo passou a ter mais sentido.

Continuei estudando após me graduar, durante a pós graduação em Gestão do Design, e durante o curso, o conceito de slow abraçou um momento no design e indústria nacional, onde nós designers nos tornávamos mais uma vez sujeitos autoprodutivos, dando sentindo/forma/função/propósito aos produtos. O movimento slow tem a ver com uma cadeia produtiva mais bem pensada, enxuta e com a necessidade de mais tempo para ser pensada.

lili azul tati marques

É daí que se faz sentido a criação de uma marca de calçados, onde o processo criativo perpassa em estudar as necessidades de vocês e não simples formas estéticas com pouca ergonomia. A Tatiana Marques calçados nasce disso, uma paixão por calçados e o propósito de construir uma marca mais gentil, inclusiva e que te coloca como sujeito dentro da sua construção estética.

Todo esse processo me levou a criar uma identidade, dentro da experimentações de materiais, formas geométricas, soluções ergonômicas dentro de um conceito estético próprio. Com a base de estudos e observações sendo em Belo Horizonte, comecei a captar de uma forma quase antropológica (com toda a humildade e admiração pela profissão) aspectos da mulher dentro da cultura mineira:

  • Formas de andar e se vestir
  • Geografia
  • Uma cultura muito patriarcal
  • Relações dinâmicas
  • etc

aurora

 

Tudo isso se resulta em estudos temáticos e construções de modelos para te atender com muito conforto e estilo.

Um ótimo exemplo é nossa rasteira Alice

alice rasteira

Que possui um velcro no peito do pé, para que você ajuste da melhor forma possível e uma frente com a geometria irregular, para cuidar de você que tem joanetes. Sem contar o couro que é bem molinho e sem costuras, pra não dar bolha e nem raspar no seu pé 🙂

 

A próxima fase da Coleção Raízes sai em dezembro e a intenção é conseguir produzir todos os modelos até o tamanho 43 e com matérias primas inusitadas, sempre mantendo o conforto e a beleza que vocês já conhecem.

A cada coleção, aprendo e evoluo muito e é graças a vocês!

Obrigada,

Tatiana Marques

 

 

 

 

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